Soja no Paraguai: Chuvas trazem atraso na colheita, ferrugem e perda de produtividade

Publicado em 22 de janeiro de 2018

As previsões mais atualizadas de chuvas para o Paraguai continuam a indicar altos volumes para os próximos dias e as condições preocupam os produtores locais. De acordo com informações apuradas pela Labhoro Corretora, o modelo americano (GFS) traz, para o intervalo dos próximos 10 dias, acumulados que poderiam ficar entre 100 e 175 mm.

Mapa 10 dias - Modelo GFS

Modelo GFS (Americano) mostra chuvas para os próximos 10 dias

Um dos principais problemas que têm afetado as lavouras sob esse cenário climático é a forte pressão da ferrugem asiática. Com precipitações que chegam desde dezembro e pouco sol, as condições são propícias para a doença, e os registros mais severos vêm da parte norte das áreas produtivas paraguaias.

“Aqui na região de Canindeyú, no mês de dezembro até agora tivemos poucos dias com sol, chuvas quase todos os dias, alguns com chuvas mais intensas, outros com garoa e, na virada de ano. Houve casos de até 25 dias entre uma aplicação e outra e nessas lavouras há dificuldade do controle agora. E estão aparecendo mais casos com severidade”, explica o produtor Neivo Frietenz, que cultiva soja na localidade.

As perdas, portanto, já são esperadas no país, em função da ferrugem, principalmente, entre os sojicultores que, em função das adversidades climáticas não conseguiram realizar os tratos culturais no período adequado.

Ferrugem na soja - Paraguai janeiro 2017

Ferrugem na soja - Paraguai janeiro 2017

Ferrugem na soja - Paraguai janeiro 2017

Ferrugem na soja em lavouras do Paraguai

Na outra ponta, as lavouras plantadas um pouco mais cedo trazem, neste momento, problemas sérios para a colheita. “Quem conseguiu colher, teve perdas acentuadas de produtividades, com rendimento abaixo de 2 mil quilos por hectare, uma produção bastante baixa”, diz Frietenz.

Ferrugem na soja - Paraguai janeiro 2017

Ferrugem na soja - Paraguai janeiro 2017

Ferrugem na soja em lavouras do Paraguai

Na região de Mbaracayú também há excesso de chuvas e dificuldade no controle da ferrugem, como relata o produtor rural Ademir Schneider. “Chuvas todos os dias, temperaturas altas, especial para a ferrugem mesmo. Os plantios mais tardios estão com uma pressão grande e como as plantas cresceram muito, o controle está bem difícil”, diz.

Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018

Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018

Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018

Lavouras de soja na região de Mbaracayú – Fotos de Ademir Schneider

Além disso, Schneider diz ainda que as primeiras áreas prontas para serem colhidas já estão com 15 a 18 dias de dessecação, porém, o clima não permite um avanço dos trabalhos de campo.

“Vamos ter perdas sim, um pouco por doença, muita chuva, falta de sol, abortamento de vagens, mas a quantidade da perda só na hora da colheita para saber”, acredita a o produtor. As expectativas de produtividade para a região são de algo entre 3,5 mil e 4 mil quilos por hectare, números que ficam abaixo dos registrados no ano passado.

Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018

Lavouras de soja na região de Mbaracayú – Fotos de Ademir Schneider

 

Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018Soja Mbaracayú - Py - Janeiro 2018

Para o engenheiro da Coordenadoria Agrícola do Paraguai (CAP), Héctor Cristaldo, em entrevista ao site Última Hora, esse atraso na colheita da soja no Paraguai ainda pode continuar e o ritmo deverá ser retomado somente no final de janeiro, início de fevereiro, época em que se espera uma regularização da situação.

 

Ele lembra, porém, que as lavouras que foram semeadas mais tarde – inclusive sentindo a falta das chuvas – precisam ainda dessas precipitações para que possam concluir bem seu desenvolvimento. “Claro que há uma preocupação e os produtores estão aguardando um dia de sol pleno, mas o atraso não é muito severo”, acredita o engenheiro.

Sobre o tamanho da safra, Cristaldo diz ainda ser difícil estimá-lo, já que esses problemas pontuais ainda estão sendo registrados e a colheita ainda não tomou ritmo. “No ano passado, colhemos 10,6 milhões de toneladas, e acredito que possamos igualar esse número ou ultrapassá-lo de alguma forma” acredita.

Já para Bruno Filipo Fernandes, especialista em nutrição e fisiologia vegetal da Agrofértil S.A., localizada na região central – Ciudad de Leste, Colônia Iguazú, Santa Rita e Santa Fé do Paraná, próximas de Foz do Iguaçu – a safra de verão de soja do Paraguai está bastante comprometida diante desse quadro, que se agravou como clima.

“Aqueles que forçaram o plantio em condições adversas não colheram bem, porque no começo não houve chuvas e depois as chuvas não faziam tanto efeito para a soja que estava com o desenvolvimento avançado. E para os que plantaram sob condições ideais, a perspectiva é boa, mas pode se esperar uma barra de produtividade acentuada, principalmente, vinculada ao tema das doenças como a ferrugem e doenças de final de ciclo”, explica Fernandes.

O especialista diz ainda que, embora seja ainda cedo para estimar com certeza a extensão e o tamanho das perdas, elas podem ser esperadas por conta da situação do clima.

“Além da doença, o prognóstico mostra chuvas para os próximos 15 dias, com algo entre 6 a 15 mm todos os dias aqui na região central. Então, além da perda de produtividade em termos de doenças e pragas, estamos também com problemas de colheita. Tem muita soja pronta, em ponto de colher, mas a situação do clima não permite a entrada de maquinário e o produtor evita o máximo de ter perda. Estamos com um cenário bem complicado por esses dois motivos”, relata Fernandes.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas


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