China assina acordo para usar 3 mi de ha na Ucrânia para produção agrícola

Publicado em 24 de setembro de 2013

A China acaba de assinar um acordo para produzir em uma área de 3 milhões de hectares na Ucrânia por um periodo de 50 anos. A área representa 5% de todo o território do país, ou 9% de sua área agricultável, que será agora usada para produir alimentos para a cresente população de classe média chinesa. É o que mostra o site de economia americano Quartz.

Segundo o analista de mercado Vlamir Brandalizze, a China irá usar a área para a produção de milho e trigo, culturas mais compatíveis com o clima do leste europeu. “Mas essa área não irá produzir da noite para o dia. Eles irão levar de 5 a 7 anos para conseguir produzir tudo o que é possível”, afirma.

Brandalizze diz ainda que os chineses estão se preparando para alimentar sua população urbana cada vez maior. “Os chineses sabem que sua economia e sua população estão crescendo e eles vão precisar de cada vez mais alimentos. Os EUA não terão tanto alimento para a exportação, pois usarão parte do seu milho para a produção de etanol”.

Sobre a concorrência que os novos investimentos chineses representam para o Brasil, o analista não se mostra muito preocupado. “O Brasil pode continuar produzindo, pois a demanda mundial por alimentos irá crescer em um ritmo acelerado. Mesmo que a China aumente sua produção usando a terra de outros países, essa concorrência vai acontecer de maneira mais leve. Eu acredito que não afete tanto o Brasil à médio e longo prazo”.

Estratégia chinesa
A matéria do site Quartz mostra ainda que, no acordo assinado entre as empresas China Xinjiang Production e Construction Corps (ou XPCC e KSG Agro, uma empresa agrícola ucraniana), as lavouras cultivadas e os porcos criados na região leste de Dnipropetrovsk serão vendidos a tarifas preferenciais para duas empresas estatais de grãos chinesas. O projeto será lançado com 100 mil hectares e, eventualmente, irá expandir-se para três milhões.

O acordo para uso da terra foi fechado depois que a Ucrânia criou uma lei que proibe estrangeiros de comprar terras ucranianas. Como parte do negócio, o banco de Importação e Exportação da China (China Exim Bank) concedeu à Ucrânia um empréstimo de 3 bilhões de dólares para o desenvolvimento agrícola do país. Em troca de seus produtos, a Ucrânia irá receber sementes, equipamentos, uma fábrica de fertilizantes (Ucrânia importa cerca de 1 bilhão de dólares em fertilizante a cada ano), e uma planta para a produção de um agente de proteção das culturas.

A empresa chinesa XPCC também disse que vai ajudar a construir uma rodovia na República Autonoma da Crimeia da Ucrânia, bem como uma ponte sobre o Estreito de Kerch, um importante centro industrial e de transporte para o país.

Críticos dizem que a iniciativa é exemplo de uma série de acordos mundiais para uso de terra que se assemelha ao colonialismo, pois se baseia na lógica dos países mais ricos extraindo recursos de países mais pobres. Hoje, esse tipo de negócio está cada vez mais motivado por governos que buscam a segurança alimentar para os seus cidadãos, ao invés da empresas privadas que buscam lucro.

Arábia Saudita, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países têm comprado terras estrangeiras, especialmente após pico no aumento dos preços de alimentos em 2007-2008. De acordo com um relatório no ano passado pela ONG Grain, o principal alvo dessas compras é a África, mas também o leste europeu, América Latina e Ásia. Entre 0,7% e 1,75% das terras agrícolas do mundo estão sendo transferidas das mãos de produtores locais para investidores estrangeiros.

Dada a diminuição de suas terras disponíveis para agricultura, a China tem sido um dos investidores mais agressivos. O país consome cerca de um quinto do suprimento de alimentos do mundo, mas é o lar de apenas 9% das terras agrícolas do planeta, devido à sua rápida industrialização e urbanização. O contrato com a Ucrânia é o seu maior investimento agrícola. Desde 2007, a China já comprou terras na América do Sul, Sudeste Asiático e África.

Alguns analistas temem que a parceria Ucrânia-China seja o primeiro passo para uma eventual aquisição chinesa de todas as terras cultiváveis da Ucrânia. Medos semelhantes sobre a segurança alimentar local levou o governo das Filipinas a bloquear um acordo de investimento China; Moçambique também tem resistido a chegada de agricultores chineses.

Outros argumentam que o projeto dá a Ucrânia a oportunidade de aumentar suas exportações de alimentos. Desde o colapso da União Soviética, o país tem sido lento no desenvolvimento de sua indústria agrícola.

Fonte: Agrolink


Assist Consultoria | Todos Direitos Reservados

Avenida Brasília, 2711 - (66) 3419 1007 - Campo Real CEP 78840-000 - Campo Verde - MT

. .