Análise semanal do mercado da soja

Publicado em 1 de setembro de 2012

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

Emerson Juliano Lucca²

As cotações da soja bateram dois novos recordes históricos nesta semana ao atingirem o valor de US$ 17,63/bushel, para o primeiro mês cotado, no dia 29/08 e US$ 17,70/bushel no fechamento desta quinta-feira (30/08). Assim, tivemos quatro quebras de recorde nos últimos três meses. Isso dá a dimensão do processo especulativo existente naquela Bolsa, potencializado pelas perdas provocadas pela seca nos EUA. Todavia, a diferença em relação ao futuro mês de maio continua semelhante às semanas anteriores, com o fechamento deste dia 30/08 ficando em US$ 15,80/bushel. Registre-se que o farelo voltou a disparar em Chicago, com fechamento em US$ 548,10/tonelada curta, enquanto o óleo de soja atingiu a 56,59 centavos de dólar por libra-peso. Em relação ao primeiro dia de agosto, o ganho do grão, ponta a ponta, é de 5,2%, enquanto o farelo e do óleo chegam a ganhos respectivos de 2,0% e 9,4%.

O mercado ainda sofreu pressão dos números de registros de exportação de soja por parte dos EUA. Os mesmos indicaram que, na semana encerrada em 16/08, o volume bateu em 718.700 toneladas, ficando dentro da expectativa do mercado. Desse total, 585.800 toneladas são relativas a safra nova. Com isso, essa safra já acumula, no ano comercial, um volume de 16,8 milhões de toneladas ou 53% acima do verificado no mesmo período do ano anterior. Além disso, o referido volume é 56% da expectativa total anunciada pelo USDA para a nova safra, que é de 30,2 milhões de toneladas.

Como não poderia deixar de ser, a China tem sido o principal comprador.

Já os embarques de soja, na semana encerrada em 23/08, apontaram um volume de 473.700 toneladas, acumulando desde setembro/12 um total de 36,7 milhões de toneladas, contra 40,3 milhões um ano antes.

Quanto aos efeitos da seca, 51% da área de milho e 48% da área de soja estariam, nesse final de agosto, sob efeito de seca extrema ou excepcional, contra 49% e 46% respectivamente, na semana anterior.

Para completar o quadro conjuntural de alta, o relatório final do “crop tour” realizado pela empresa privada Pro-Farmer apontou uma safra de soja nos EUA de apenas 70,8 milhões de toneladas, contra 73,3 milhões anunciadas no relatório de oferta e demanda do USDA em 10/08. Com isso, o mercado já começa a projetar que o próximo relatório do USDA, previsto para a primeira quinzena de setembro, deverá reduzir o volume estimado para a atual safra, acompanhando os números do “crop tour”. No milho, o relatório privado indicou uma safra de apenas 266,2 milhões de toneladas, contra 283,8 milhões indicados pelo USDA no dia 10/08.

Realmente, as condições das lavouras nos EUA voltaram a piorar na semana do 26/08, com 38% entre ruins a muito ruins, 32% regulares e 30% entre boas a excelentes. Para o milho as mesmas ficaram em 52% entre ruins a muito ruins, 26% regulares e 22% entre boas a excelentes. O estágio das lavouras de soja, em 23/08, era de 96% em floração e 8% em frutificação. Nesse sentido, é possível que as chuvas deste final de agosto, provocadas pela chegada do furacão Isaac ao sul do país, podem melhorar o quadro final em algumas regiões.

Nessas condições, não há como, no curto prazo, Chicago recuar dos atuais níveis recordes que se assiste desde o final de junho.

Entretanto, para 2013, o mercado já começa a assimilar aquilo que se previa há mais tempo. Ou seja, em clima normal, a América do Sul terá uma safra recorde, compensando em parte a atual escassez do produto e mesmo a atual quebra estadunidense. Segundo Safras & Mercado, em projeção inicial, a área com soja nessa região das Américas irá crescer 11%, chegando a 52,4 milhões de hectares. Nessas condições, se o El Niño realmente confirmar presença positiva, a produção de soja da América do Sul, em 2013, chegará a 152,6 milhões de toneladas, contra 115,6 milhões alcançadas na frustrada safra passada. Ou seja, um aumento de 37 milhões de
toneladas. Esse volume é superior, inclusive, ao que o relatório do USDA indicou em 10/08, que foi de 148,3 milhões de toneladas.

Para o Brasil, a produção está projetada em 82,3 milhões de toneladas, enquanto a Argentina ficaria com 57,7 milhões, o Paraguai com 8,1 milhões, a Bolívia com 2,56 milhões e o Uruguai com 1,9 milhão de toneladas.

Pelo lado da demanda, a China anuncia que sua capacidade de esmagamento cresceu para 125 milhões de toneladas de soja, tendo tal capacidade crescido, nos últimos dois anos, em 30 milhões de toneladas. Para 2012/13 os chineses esperam esmagar 63 milhões de toneladas, o que indica que existe localmente uma ociosidade ao redor de 50%. Do total esmagado, 57 milhões de toneladas serão de soja importada. (cf. Safras
& Mercado)

Enfim, os prêmios nos diferentes portos terminaram a semana com o Golfo do México (EUA) registrando valores entre 85 e 97 centavos de dólar por bushel para setembro. No Brasil, para o mesmo mês, valores entre US$ 2,50 e US$ 3,30/bushel, porém, para abril/maio do próximo ano valores negativos entre 10 e 17 centavos de dólar por
bushel. Isso dá a dimensão exata da mudança futura no perfil de preços da soja em nosso país, caso a safra for cheia. Em Rosário (Argentina) o prêmio para abril/maio de 2013 igualmente está negativo entre 5 e 10 centavos de dólar por bushel.

Nesse contexto, o mercado brasileiro fechou a semana com o preço de balcão gaúcho voltando a subir, na medida em que o câmbio melhorou um pouco, chegando a R$ 2,05 por dólar. Assim, o balcão bateu na média de R$ 73,63/saco no Rio Grande do Sul, enquanto os lotes oscilaram entre R$ 83,00 e R$ 84,50/saco. Nas demais praças, os lotes giraram entre R$ 76,35/saco em Sapezal (MT) e R$ 86,00/saco no oeste e norte do Paraná. Já na BM&F/Bovespa o contrato para setembro/12 fechou em US$ 44,30/saco, enquanto o novembro ficou em US$ 43,04/saco e o março/13 recuou para US$ 36,45/saco.

A julgar pelo fato de que, nas condições atuais de Chicago para maio/13, do prêmio nos portos nacionais para a mesma época, e de um câmbio ao redor dos atuais valores (R$ 2,00), o preço médio de balcão, no Rio Grande do Sul, nesse momento aponta para valores entre R$ 54,50 e R$ 59,50/saco em abril/maio de 2013, os preços futuros continuam muito interessantes. No interior gaúcho a compra da safra futura está cotando o saco de soja a R$ 67,50. para maio/13 nesse momento. No Paraná, o março/13 esteve a US$ 34,00/saco em Paranaguá (porto). No Mato Grosso, valores de R$ 58,00/saco para março/13 em Rondonópolis. No Mato Grosso do Sul a compra

ficou em R$ 58,00/saco para o mesmo mês. Em Goiás a indicação para abril/13 foi de R$ 62,00/saco, o mesmo se registrando para a região de Brasília. Em Minas Gerais a média alcançou R$ 62,00/saco para abril/13 na região de Uberlândia. Na Bahia, a região de Barreiras apontou preço de R$ 61,00/saco para maio/13, enquanto no Maranhão o valor ficou em R$ 60,00 para o mesmo mês. No Piauí, a região de Uruçuí bateu em R$ 61,00/saco para julho/13 e no Tocantins o valor ficou em R$ 58,50/saco para maio/13. (cf. Safras & Mercado)

Abaixo seguem os gráficos da variação de preços da soja e seus derivados no período de 03/08 a 30/08/2012.

¹_Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França,
coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
²_Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de
Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

Agrolink com informações de assessoria


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