Custo do boom agrícola

Publicado em 27 de agosto de 2012

O leste mato-grossense, conhecido como uma das últimas fronteiras agrícolas do Brasil, vai cedendo, a cada ano, mais espaço à agricultura que avança sobre áreas de pastagens degradadas ou de baixa produtividade. O desbravamento desta porção geográfica se assemelha à ocupação do norte e médio norte do Estado há cerca de 30 anos, tamanha as dificuldades ainda enfrentadas. Em pleno século 21, as balsas são responsáveis pelo transporte de até 400 veículos por dia, a maioria deles de carga. Num contexto como esse, o frete de uma tonelada de calcário – insumo essencial às áreas novas – custa até R$ 110, enquanto os mil quilos do mineral não chegam a R$ 50.

“Infraestrutura e logística não acompanham o crescimento já observado na região e o potencial que ela tem”, frisa o vice-presidente Leste da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Gilmar Dell Osbell. Nesta nova temporada de cultivo de grãos, a safra 2012/13, que tem início no Estado a partir da segunda quinzena de setembro, a região deverá ampliar em 25,9% a área plantada com a oleaginosa que passará de 953,80 mil hectares para 1,20 milhão. “Com pastagem ruim e preço do boi ruim, o que não permite investimentos em recuperação da pastagem, abre-se espaço para agricultura que vive um bom momento”, completa.

Como explica, a conjuntura do mercado consumidor de grãos favorece a conversão da pastagem em agricultura, mas ainda assim, se paga um preço muito caro por isso. Enquanto o custo operacional {insumos e operações agrícolas} de um hectare está cotado, pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em R$ 1,22 mil – média Mato Grosso – na hora de converter a terra são necessários outros R$ 1 mil para deixá-la apta à semeadura após a limpeza, a gradagem e a calagem, como acrescenta o vice-presidente Leste da Aprosoja/MT.

“Uma tonelada de calcário custa entre R$ 42 e R$ 49, dependendo do ponto de entrega. O frete, na mesma condicionante, vai a R$ 60 e até R$ 110. Quando a balsa estraga, para tudo por aqui”. Osbell reclama que o abandono da região tem atrasado a entrega de calcário – em função até do aumento de demanda. Para que os trabalhos de preparação de solo para o plantio, a partir de 1° de outubro, não atrasarem os produtores estão comprando o insumo de Goiás e Tocantins, em municípios com até mil quilômetros de distância. “O leste oferta topografia, clima, área já aberta sem a necessidade de nenhum desmate, o produtor está tecnificado para plantar, mas às vésperas do plantio o calcário não chega e depois que a gente colhe, os atoleiros e as péssimas condições das estradas (terra em maioria) prejudicam o escoamento”.

O calcário para fins agrícolas é utilizado para corrigir a acidez do solo e ao mesmo tempo fornecer cálcio e magnésio indispensáveis para a nutrição das plantas. “Em hectares novos, de primeiro plantio, usamos em média de cinco a seis toneladas de calcário para fazer a calagem do solo. Em áreas de cultivo, fazemos a correção a cada três, quatro anos e se utilizam cerca de 1,5 a duas toneladas. Se somos áreas de expansão neste momento, imagina o tamanho do problema logístico que enfrentamos?”, indaga.

CUIDADOS – Como explica o gerente técnico da Aprosoja/MT, Luiz Nery Ribas, o leste mato-grossense é tido como área nova, de abertura, consequentemente necessita de altos investimentos como limpeza da área, operações pesadas para transformar pasto em lavoura, calagem entre outros. “E o retorno disso não é imediato. A produtividade esperada não é igual às de áreas já em produção, visto que o ajuste e equilíbrio de nutrientes do solo, decomposição do pasto, a reação do calcário será lenta e outros fatores de produção só se ajustarão com o decorrer das safras”.

Como explica, mesmo sendo uma região mais ‘nova’, ela não é imune às pragas e doenças. “É relativo. Esta região mais nova realmente tem mais chances de não registrar ataques seja pelo fato da distância de outras lavouras, das condições climáticas e consequentemente pela menor pressão dos patógenos (organismo vivo como fungos, vírus e bactérias), porém, devem ser monitoradas e tratadas por profissionais”.

OPORTUNIDADE – “Acredito que produtores já capitalizados em outras regiões do Estado é que partem para investir em novas áreas e por isso conseguem diluir seus investimentos. As tecnologias aplicadas e o clima favorável com acompanhamento técnico indicam bons resultados e futuro propício para a região. É preciso muito trabalho. Bons profissionais aliados às excelentes condições edafoclimáticas

{relação planta-solo-clima} e pesquisa (Embrapa e iniciativa privada) indicam ótimos resultados na produtividade e produção no leste estadual”.

Fonte: Notícias Agrícolas // Marianna Peres


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