Soja 12/13: Intensidade do El Niño definirá safra na América do Sul

Publicado em 23 de agosto de 2012

As adversidades climáticas vêm comprometendo a oferta mundial de soja. Na safra 2011/12, uma severa estiagem causada pelo fenômeno climático La Niña dizimou a safra de grãos da América do Sul provocando uma expressiva baixa na produção da oleaginosa em importantes produtores mundiais, como o Brasil e a Argentina. Agora, quem sofre com o calor excessivo e a falta de chuvas é os Estados Unidos na temporada 2012/13.

As lavouras norte-americanas estão sendo castigadas pela pior seca da história do país e a produtividade das mesmas já está bastante comprometida. De acordo com alguns números da expedição Crop Tour Pro Farmer, a contagem de vagens da oleaginosa em importantes estados produtores está bem abaixo do registrado no ano passado. Em Indiana, por exemplo, a média de vagens caiu 9,1% e, em Nebraska, a queda foi de 30% em relação a 2011.

Essas quebras de safra, tanto da América do Sul quanto dos Estados Unidos, drenaram os estoques mundiais da oleaginosa e agora direcionam o mercado para preços historicamente altos. Nesta terça-feira, 21 de agosto, os preços da soja em Chicago atingiram novos recordes e a expectativa dos analistas é de que continuem subindo.

“O cenário é inédito devido as quebras das safras dos dois hemisférios e tem uma forte reduão de oferta em todos os grãos, todas as oleaginosas, todos os óleos comestíveis. É um cenário preocupante”, diz o operador de mercado Liones Severo.

Diante desse quadro, os olhos do mundo se voltam agora para a nova safra da América do Sul e o tamanho real que ela terá. Alguns analistas acreditam que Brasil e Argentina produzirão volumes recorde de soja, porém, ainda não há uma definição sobre as condições climáticas que os produtores enfrentarão.

De acordo com o Inmet, o Instituto Nacional de Meteorologia, as condições do fenômeno climático El Niño estão se modificando e que sua intensidade será mais fraca e sua duração menor, características que poderiam comprometer o bom desenvolvimento da safra sulamericana. Para o diretor do Instituto, Antônio Divino Moura, o fenômeno perderá força a partir de janeiro de 2013.

Como explica Severo, estados como o Rio Grande do Sul, por exemplo, ainda não se recuperaram da última seca e enfrentam níveis hídricos muito baixos. Tal situação deve provocar um aumento da área gaúcha de soja em detrimento de culturas como a de arroz ou milho por conta da falta de água.

“Quanto à produção de soja, nós comerciais sempre adotamos o sistema de considerar que uma safra sempre tem uma porcentagem de 5 a 10% de quebra. Nos últimos 10 anos, o Brasil teve nove anos de quebra em algum lugar, só produziu bem o ano passado. Por isso, não podemos dizer que a safra será um recorde. Nós podemos dizer que vamos plantar para ter uma safra recorde, mas é muito difícil alcançar isso”, analisa o operador.

Frente a isso, Severo espera um mercado ainda sustentado em Chicago, já que afirma que para preços altos o remédio são preços ainda mais altos, que possam racionar a demanda em tempos de uma oferta tão escassa. “Após os US$ 17,50 por bushel as cotações da soja podem tomar fôlego e alcançar o patamar de US$ 19 a US$ 20 por bushel”, completa. Nesta terça-feira (21), nos portos brasileiros uma saca de soja da safra nova já era cotada a R$ 69,50, enquanto o preço para o produto disponível superava os R$ 84.

Sendo assim, a atuação do clima agora é o principal foco do mercado e de seus participantes. Para o analista de mercado Fernando Muraro, da AgRural, a grande preocupação agora é de que essa fraca intensidade do El Niño deixe o clima neutro, afetando a produção do Sul do Brasil em um ano em que o mundo e seus estoques necessitam da produção da América do Sul.

O El Niño fraco com tendência para neutro pode significar chuvas menores e temperaturas mais altas para o sul brasileiro e isso, como disse Muraro, pode significar a possibilidade de uma quebra na produção brasileira.

Para Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar, o cenário mundial não está em condições de perder mais um só grão de soja. Além disso, afirma ainda que para a recomposição necessária dos estoques só mesmo a próxima safra dos Estados Unidos.

Paralelamente, a demanda mundial por soja continua aquecida. Analistas de mercado afirmam ainda que, até o momento, a procura pela oleaginosa não dá sinais de desaquecimento. Os preços para seu racionamento ainda não são conhecidos e as opiniões são divergentes sobre esses patamares.

Fonte: Notícias Agrícolas


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