Em Chicago, soja e trigo fecham a semana com boas altas

Publicado em 20 de agosto de 2012

Após mais uma semana de preços operando com volatilidade, soja, milho e trigo fecharam a semana em alta na Bolsa de Chicago. A soja e o trigo terminaram o pregão com ganhos de dois dígitos e o milho com as cotações próximas da estabilidade, registrando um ligeiro avanço.

No caso da soja, o mercado foi sustentando pelo ajustado cenário de oferta e demanda. A demanda está bastante aquecida em tempos de uma estoques em níveis muito baixos. No relatório de exportações semanais dos EUA divulgado nesta quinta-feira (16) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foi reportada a venda de mais de 1 milhão de toneladas da commmodity ao exterior, o que confirma essa demanda fortalecida. O que o mercado vê agora é a falta da oleaginosa disponível até a entrada da safra sul-americana.

“Pela análise gráfica, o contrato da oleaginosa de novembro acima de US$ 16,50 dólares por bushel ganha força para um novo movimento de alta, podendo ultrapassar os US$ 17 dólares, apenas olhando os gráficos, sem alguma notícia ou fundamento novo para começar esse movimento”, explicou o analista de mercado Bruno Perottoni, da Terra Futuros.

Além disso, os fundamentos climáticos também estimularam o mercado internacional da soja, porém, somente a partir do meio da semana. No início, como explica o analista de mercado Mário Mariano, da corretora Novo Rumo, acreditava-se que as chuvas acima do esperado que chegaram aos Estados Unidos poderiam pressionar os preços e permitir uma recuperação das lavouras norte-americanas.

Entretanto, com o passar da semana foi verificado que essas precipitações não foram suficientes o bastante e que foram mais expressivas em regiões onde a produção de soja não é tão relevante nos EUA. “Os fundamentos estiveram do lado do mercado e por isso a soja subiu 29 cents por bushel essa semana”, diz Mariano.

O analista explica ainda que as oscilações são maiores no mercado da soja se comparadas às do milho e do trigo pois a oleaginosa ainda está sob a influência do andamento do clima nos Estados Unidos. Isso acontece pois ainda há um potencial, mesmo que não muito forte, de recuperação para as lavouras norte-americanas.

No caso do milho as perdas já são irreversíveis e agora o mercado do grão tem como foco principal a demanda, já que as perdas provocadas pela estiagem nos Estados Unidos já foram precificadas. Analistas acreditam que o mercado tenha sido pressionado, de um lado, pela fraca demanda pelo cereal norte-americano, e por outro lado, tenha encontrado suporte na expressiva alta registrada pelo trigo.

Porém, o mercado do milho também conta com fundamentos ainda altistas, haja visto que a quebra na safra dos EUA pode chegar a 100 milhões de toneladas. Essas perdas, no entanto, poderiam estimular o aumento das exportações brasileiras, explica Mário Mariano.

Porém, como diz o analista, o mercado interno teve uma semana de preços pressionados negativamente em função do avanço da colheita da safrinha e com a percepção de que as vendas externas não têm condições de evoluir tão rápido quanto necessário, por conta, principalmente, de gargarlos logísticos. Essa pressão, inclusive, já refletiu nos negócios realizados na BM&F, onde os preços do milho trabalharam em campo negativo durante boa parte da semana.

O trigo teve uma semana positiva e fechou a sessão desta sexta-feira com altas de dois dígitos. O mercado do cereal continua sustentado nas perdas das lavouras da Rússia. O país, que é um importante produtor do grão, pode proibir novamente suas exportações para tentar manter o abastecimento interno e preços estabilizados.

E não é só a Rússia que sofre com a quebra por conta da falta de chuvas. A Ucrânia e alguns países do Leste Europeu também são atingidos. Temos que ficar de olho na região do Mar Negro, Rússia, Ucrânia, pois as condições climáticas estão piores por lá, e os países podem diminuir as exportações”, disse Bruno Perottoni. Para o analista, a commodity pode superar os US$ 9 por bushel.

Fonte: Notícias Agrícolas


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