CMN aprova “pacote”

Publicado em 3 de agosto de 2012

O segmento suinícola de Mato Grosso avaliou como positivas as medidas autorizadas ontem, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), para socorrer de forma emergencial a atividade, que no Estado está em crise há cerca de um ano e meio. O “pacote” vai amenizar as perdas motivadas pelo descasamento entre preço de venda do quilo do animal e custo de produção que estão sendo acumuladas ao longo de quase 20 meses, mas não são ainda suficientes para a recuperação e reinvestimentos no setor, um processo que pode levar ainda mais de um ano para acontecer.

Encerrada esta etapa de pleitos, os criadores seguem para uma segunda fase do processo de negociação, que é a implementação das medidas, ou seja, a operacionalização urgente das aprovações para que o segmento possa usufruir o mais rápido possível dos benefícios.

Como anunciou na tarde de ontem o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o CMN autorizou a prorrogação das operações de crédito rural de custeio e investimento contratadas por suinocultores não integrados, a definição do preço mínimo para o suíno vivo em R$ 2,30 por kg, nas regiões Sul e Sudeste, e R$ 2,15, no Centro-Oeste, a subvenção de R$ 0,40 por kg de carne suína e a criação de uma Linha Especial de Crédito (LEC) para a aquisição de leitões com taxa de 5,5% ao ano, com valor inicial de R$ 200 milhões.

Além disso, foi autorizada a ampliação do limite da linha de crédito para retenção de matrizes por produtores independentes de R$ 1,2 milhão por produtor para R$ 2 milhões, até 30 de dezembro deste ano.

Com a decisão, as parcelas de custeio que vencem em 2012 estão prorrogadas para pagamento em cinco parcelas anuais. Nas de investimento e custeio prorrogadas em anos anteriores a regra equivale a um ano após a última parcela do contrato.

Essas medidas, segundo o ministro Mendes Ribeiro, ajudarão o produtor a superar o momento difícil por que passa o setor, decorrente do elevado custo de produção e da crise financeira internacional. Além disso, o ministro também reiterou que o governo garantirá o abastecimento de milho e farelo de soja a custos competitivos para o setor.

2ª ETAPA – O diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, observa que o Conselho aprovou na íntegra o pedido do segmento. Ainda assim, o que realmente interessa é que tudo tem de acontecer o mais rápido possível. “Esperamos demais por este anúncio e a cada dia os prejuízos aumentam”. Rodrigues destaca ainda que a segunda etapa do processo é justamente trazer para prática as medidas anunciadas e que em função de agilidade delas o segmento, em nível nacional, seguirá mobilizado.

Rodrigues lembra que as medidas amenizam a crise, já que as perdas continuarão sendo contabilizadas. Em Mato Grosso, o quilo do suíno está em média a R$ 2, ante um custo médio de produção de R$ 2,35. “Há um déficit que está sendo arcado pelo criador de R$ 0,35. Com a regulamentação de um preço mínimo, uma das medidas, o governo federal irá pagar prêmio ao produtor sempre que o valor do mercado estiver abaixo do mínimo. No caso de Mato Grosso, a diferença hoje é de R$ 0,15, mas há um descasamento entre preço e custo de R$ 0,35 que será amortizado em R$ 0,15 apenas. Como se vê, R$ 0,20 ainda ficarão de prejuízo em Mato Grosso, para o criador”.

Outro fantasma que ronda a atividade são os custos. Mesmo com a garantia do Mapa de que milho e farelo de soja chegarão ao criador a preços competitivos, o diretor teme pela pressão dos preços das commodities que seguem valorizadas e com tendência de novas altas no decorrer dos próximos meses em função de uma oferta mundial restrita de soja e milho e demanda na contramão. “Em relação aos nossos principais insumos – 80% da alimentação dos suínos vêm dessas commodities – não houve nenhum anúncio específico”, adverte.

Como mostrou o Diário nas edições da última quarta-feira e de ontem, o preço do farelo de soja aumentou 118% no Estado, na comparação entre julho do ano passado e julho deste ano. Conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), pagava-se R$ 594,75 por tonelada e agora R$ 1.126,25.

Em relação ao milho, cuja saca era negociada por menos de R$ 13 em meados de maio deste ano e que agora passa de R$ 20, mesmo com a supersafra estadual e nacional há temores de que a escassez mundial e a valorização internacional redirecionem a produção ao mercado externo, desabastecendo o interno, como alerta o Diário na edição de ontem. “Mesmo com a intervenção do governo federal, a conta para a suinocultura não fecha e o contexto que envolve nossas matérias-primas não é nada animador”, sentencia Rodrigues.

Fonte: Diário de Cuiabá


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