Dólar tem dois pesos

Publicado em 21 de maio de 2012

A saca da soja, em Mato Grosso, segue com preços elevados e sustentada por duas alças, como apontam analistas locais. Uma se refere diretamente ao ganho em função da valorização do dólar frente ao real e a outra, pela forte demanda mundial que acaba ampliando o preço internacional do grão.

O momento é tão positivo à sojicultura mato-grossense, que de maneira quase rara ‘as alças’ levaram ao descolamento do mercado de Chicago, onde o preço é formado. O Estado, que sempre perdia reais em relação às outras praças, agora exibe valores de até R$ 3 a mais sobre a média do mercado. Apesar do feito histórico e da sucessiva ruptura do teto de preços, a mesma demanda e câmbio que contagiam o segmento são os mesmos fatores que contribuem para alta dos custos de produção para a nova safra, 2012/13, em pleno planejamento.

Com o mercado em alta, sojicutores estaduais deram início à nova temporada, pelo menos na teoria, com a aquisição dos insumos básicos, como sementes, defensivos e fertilizantes. De janeiro a abril deste ano, por exemplo, a saca valorizou 28%, saindo de uma média R$ 39 para cerca de R$ 50, no mês passado. No mesmo período, a cotação média do dólar passou de R$ 1,79 para R$ 1,85, avanço de 3,4%.

Na comparação com a estimativa de custos da safra 2011/12, de julho do ano passado, com a última apresentada na semana passada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), há alta de 20,73%, já que a média de investimento por hectare no Estado passou de R$ 1,64 mil para R$ 1,98 mil. No período analisado, a taxa de câmbio valorizou 14,90% no período – de R$ 1,65 para R$ 1,85 (média de abril) – abaixo do total apontado pelo Imea para o cultivo da soja. A explicação para o desequilibro está justamente na forte demanda por insumos por parte do produtor, que aumenta principalmente os preços dos fertilizantes e pela maior necessidade de tecnologia nas sementes, opção que por si só encare a tonelada do produto.

“A alta dos insumos vem sendo observada desde julho do ano passado. Fertilizantes são os produtos que mais contribuem para a elevação da despesa, visto que a formação de preços dele não tem um indicador. Quem tem coloca o preço que quer e na medida em que o produtor demanda mais, mais ele aumenta”, explica o analista do Imea, Cleber Noronha. Ela conta ainda que os defensivos costumam refletir a alta do dólar, já os fertilizantes seguem as altas da soja.

Apesar da certeza de que o plantio da nova safra custará mais caro em relação ao desembolso da safra 2011/12, Noronha destaca que a maioria dos produtores ao antecipar a compra de insumos – entre março, abril e maio deste ano – se resguarda de novas altas, principalmente que vêm pela proximidade do plantio, que no Estado tem início em setembro. “Sabemos que os insumos podem subir mais e por isso a compra antecipada, seja paga à vista ou com soja, é um bom negócio. Se o valor tiver fixado em dólar, o produtor pagará mais caro na medida em que o câmbio avançar, no entanto ele não sentirá mais as altas sobre os insumos”. Outro ponto destacado é que se há tendência de alta aos custos, há tendência de valorização à soja. “A redução dos estoques mundiais é uma certeza e cedo ou tarde as empresas que estão evitando o mercado agora pelas altas sucessivas da saca terão de comprar o mais rápido possível para suprir suas necessidades e esse movimento vai mexer positivamente com os preços”.

DESPESA – A última estimativa de custo de produção da soja tem como base uma taxa de câmbio a R$ 1,85 e assim como em todas as projeções o Imea considera o cenário dentro de uma produtividade de 52 sacas por hectare. Com média orçada em R$ 1,98 mil por hectare no Estado, o investimento total na nova safra deverá somar R$ 14,85 bilhões, já que a previsão de cobertura é de 7,5 milhões de ha. Da despesa total, como mostra o Imea, R$ 1,20 mil, ou 70%, será aplicado apenas no custo operacional, que congrega insumos, e despesas com remuneração de mão-de-obra, aplicações de químicos e colheita. O restante cobre custos relativos à assistência técnica, transporte e armazenagem.

Nesta quinta projeção do ano, o hectare mais caro está na região nordeste, R$ 2,07 mil, seguido de perto pelo médio norte, R$ 2,05, região que concentra mais de 40% da área plantada e da produção estadual. O hectare mais barato está no centro-sul, R$ 1,82 mil.

O gestor de Imea, Daniel Latorraca, destaca que dentro das proporções atuais de apreciação do dólar e da saca “a valorização da saca de soja ainda supera a majoração dos custos de produção, portanto o produtor segue em vantagem”.

Fonte: Diário de Cuiabá


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