Soja: Quase R$ 1 por quilo

Publicado em 8 de maio de 2012

Marianna Peres

A ascensão dos preços da soja no mercado interno mato-grossense parece um movimento altista e que ainda desconhece seu teto e seu limite. A cada semana recordes de preços para a saca de 60 quilos são quebrados e a expectativa é de que em breve outra marca seja quebrada em Mato Grosso com o quilo do grão valendo R$ 1, ou seja, com a saca a inéditos R$ 60.
“A soja, que há poucas semanas bateu recordes de preço, parece não ter teto para a valorização no mercado interno de Mato Grosso. O mercado já começa a enxergar que a soja presente nos estoques mundiais não será suficiente para suprir a demanda, mesmo após o produto norte-americano entrar no mercado, já que a safra dos Estados Unidos sinaliza não ser ‘das melhores’”, revelam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), por meio do Boletim Semanal divulgado nessa segunda-feira (7).
No final da semana passada o valor da saca atingiu mais de R$ 57, em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) e Alto Araguaia (415 quilômetros ao sul de Cuiabá), preço nunca cogitado nem pelos produtores e 35% maior do que os registrados no início do ano. “Caso essa valorização continue, o preço da saca de soja no município mato-grossense mais próximo do porto pode chegar aos incríveis R$ 60, ou seja, a comercialização em saca será mais fácil calcular, pois valerá R$ 1 o quilograma da oleaginosa”, frisa o Imea.
Como destaca o Boletim, na semana passada, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) ratificou que o mundo irá consumir mais soja e que o Brasil está fadado a superar os Estados Unidos nas exportações em 2013/14, já que no final deste ano os países podem se igualar no volume exportado. “Toda essa demanda já pressiona os preços no mercado mato-grossense e a soja volta a fazer jus ao nome de ‘ouro verde’”.
O potencial de expansão da safra já foi calculado ainda em abril, pelo próprio Imea. Na safra 2012/13, Mato Grosso poderá atingir uma área plantada de 7,41 milhões de hectares e ofertar mais de 23 milhões de toneladas, projeções que se confirmadas resultarão em uma evolução anual de 7,7% na produção e de quase 33% nos últimos cinco anos. No longo prazo, conforme o Instituto, com a incorporação de áreas de baixa produção da pecuária e de pastagens degradadas, Mato Grosso dará mais um salto ao cultivar 9,75 milhões de hectares e produzir 32,8 milhões de toneladas, avanço de mais 38% comparando com os números desta temporada.
MERCADO – As estimativas para a safra brasileira 11/12, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), apontam para demanda elevada para o grão de soja e seus derivados. A previsão de falta de soja impulsiona a redução na produção do óleo de soja no país em 1%. O que ocasionou a queda da produção do óleo foi a quebra de safra de soja que ocorreu no Brasil, principalmente na região Sul que sofreu com a seca. Com isso, a estimativa de exportação do óleo é de queda em 7%, devido também ao aumento de 1% no consumo interno do Brasil. Desta maneira, o estoque final esperado para o óleo é 23% menor em relação ao ano passado, podendo resultar em uma pressão nos preços do grão no mercado interno da soja.
Os Estados Unidos seguem plantando sua safra 2012/13. Na região agrícola do país as estimativas divulgadas pelo Usda, em 22 de abril eram de 6%, evoluíram para 12% na semana seguinte. Se comparado às médias para o período, de 5%, este percentual é muito positivo, pois é quase o triplo do que ocorre normalmente no país e pode ser um indicativo de uma boa safra ao grão.

Fonte: Diário de Cuiabá.


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