Seca impede explosão

Publicado em 12 de novembro de 2012

A previsão pessimista de que a ferrugem asiática poderia fazer as ‘primeiras vítimas’ da safra mato-grossense de soja, ainda no decorrer do mês de outubro, não se confirmou, graças ao clima. A seca que ainda impede que os trabalhos deslanchem em todas as regiões produtoras do Estado é a mesma que vem retardando o surgimento dos primeiros focos da doença nas lavouras comerciais da safra 12/13.

Em razão da viabilidade dos fungos encontrados durante o período do Vazio Sanitário – quando a permanência de plantas vivas de soja é proibida, salvo exceções como pesquisas – nas plantas de soja que nasceram ao longo de estradas e para além das porteiras, a chamada soja guaxa, e pelo volume de esporos presentes nas plantas, a previsão era de que já no início do estágio reprodutivo, R1, Mato Grosso já confirmasse os primeiros focos da doença. O cenário desenhava uma infestação precoce da doença e de forma jamais vista no Estado para o período. No entanto, as previsões de chuvas para os meses de setembro e outubro não se confirmaram e os fungos, muitos ainda vivos e presentes no ambiente, ainda não infestaram as lavouras. A doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi – que pode ser levado ao vento por grandes distâncias – reduz a produtividade das plantas e amplia os custos de produção.

O coordenador da Comissão de Defesa Vegetal da Superintendência Federal da Agricultura (SFA), em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, finalizou na semana passada a primeira rodada de visitas pelo Estado, após o início do plantio. Com resultados de amostras coletadas nos principais pontos de produção do sul do Mato Grosso, ele afirma que mesmo sem registros da doença e condição encontrada no Estado não permite a acomodação do produtor. “De fato, casos da doença fúngica não foram registrados em lavouras comerciais da nova safra, mas a infestação é só uma questão de clima, ou seja, de chuvas”. Como explica Dias Guerras cerca de 30 amostras de plantas de soja guaxa foram colhidas e estão sendo analisadas. “O que nos chama a atenção no material já analisado da região sul é que a pouca condição de umidade em algumas regiões foi suficiente para que o esporo da doença deixasse a planta velha – aquela remanescente da safra passada e que não foi destruída durante o Vazio – para se instalar em plantas que rebrotaram com a chuva. Dessas plantas guaxas novas para as lavouras, muitas lado a lado, é um passo”. Essa situação de “transferência” dos esporos foi observada em Alto Araguaia e Poxoréu. Dias Guerra reforça que onde houve chuva, a guaxa rebrotou e nessas plantas, houve explosão inicial da doença.

“Além desta ameaça clara à soja que está em pleno desenvolvimento vemos um agravante. Essa nova população de soja guaxa vai sobreviver à entressafra de 2013 e se nada for feito, trará novamente preocupações no novo ciclo”, adverte. Como frisa, com a rebrota da guaxa a contaminação é iminente.

Esse retardo da doença tem deixado o produtor numa situação de inércia. Por todos os lugares por onde andou, nenhum produtor relatou já ter feito uma pulverização preventiva na lavoura precoce. “Estão esperando a doença se instalar em lavouras comerciais da região para remediar. Nossa orientação é a de que onde há registro de chuvas, e onde consequentemente a lavoura está se desenvolvendo melhor, que o produtor faça pulverização antecipada de fungicidas”. Durante as visitas, Dias Guerras está aproveitando a oportunidade para comprovar reclamações de produtores que acusam outros de não fazerem pulverizações preventivas nas lavouras precoces, o que aumenta a condição de contaminação para as variedades de ciclos mais tardios.

Ainda sem resultados de coletas feitas no norte de Mato Grosso, o coordenador destaca que em Sorriso, Lucas do Rio Verde, Sinop e Tapurah, por exemplo, existem muitas guaxas á beira de estradas e ao lado das lavouras, e essas plantas apresentam sintomas da doença. “Novamente faço o alerta: é preciso monitorar as lavouras o tempo todo, mesmo que o plantio esteja atrasado. O esporo da doença está presente, vivo e as plantas em estágio reprodutivo são as mais suscetíveis”.

RISCO – A população de soja guaxa com esporos viáveis (prontos para infestar as lavouras) detectada durante o Vazio sanitário foi a maior já observada no Estado. Análises feitas até às vésperas do plantio mostraram que o fungo se mantinha, mesmo sob estiagem atrivo por mais de 40 dias.

AJUDA – Para o produtor que estiver na dúvida sobre a existência ou não dos fungos, Dias Guerra orienta para que contate uma assistência técnica e se a dúvida persistir, encaminhe amostras para os núcleos regionais da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) que a entidade fará chegar até o coordenador as plantas que deverão ser analisadas em laboratório.

Fonte: Diário de Cuiabá // Mariana Peres


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