Soja: retração de consumo está a caminho, alerta analista

Publicado em 15 de outubro de 2012

Em artigo enviado com exclusividade ao Notícias Agrícolas, o analista Liones Severo, um dos mais respeitados operadores de mercado com soja no Brasil, alerta que os bons preços para a oleaginosa já passaram diante dos produtores brasileiros. Segundo ele, a demanda para soja “in natura” começa a ser contida devido aos preços elevados.

Como exemplo Liones Severo cita que o farelo de soja e óleo de soja brasileiros foram completamente alijados dos mercados compradores nos últimos 3 meses. “Grande parte das vendas de farelo de soja tiveram que ser renegociadas (washout) de volta para os vendedores ou para industrias nos países de origem. Esta é o mesmo tipo de negociação que os chineses fazem quando os preços ficam demasiadamente altos para eles comprarem, e que o mercado reporta como cancelamento”, explicou Severo.

Pelo nível de retração dos mercados consumidores podemos entender que o farelo de soja é o grande responsável pela limitação dos preços da soja. A forte retração vem da Europa que importa cerca de 70 % do farelo exportado da América do Sul.

— “Além disso, na quinta-feira o USDA aumentou a produção de soja americana em seu relatório mensal… penso que os produtores do Brasil precisam se ajustar aos novos números da safra de 2012, já que as últimas previsões estão indicando uma produção final no Brasil ao redor de 70 milhões de tons (e não 66/67 milhões de tons anteriormente previstas).

De acordo com seus números, as transações internacionais do complexo soja compõem-se de 93 milhões de tons de soja in natura, 58 milhões de tons de farelo de soja e cerca de 10 milhões de tons de óleo de soja. A destinação de 58 milhões de tons de farelo de soja para os mercados internacionais corresponde praticamente à exportação de adicionais 75 milhões de tons de soja …, “esses são os números que compõem o cenário macro do fluxo internacional da soja, proporcionando a regulagem (e aferição ) dos preços para esse produto em qualquer tempo ou lugar”.

— “Como o mercado bem sabe, diz o operador, o preço da soja/grão é formado pelo preço do farelo, mais o preço do óleo, adicionando-se o custo de industrialização. Conhecendo os preços pagos por essas mercadorias físicas nos mercados consumidores finais, temos uma avaliação do preço real de valor ou utilização do momento presente.

E completa: “Se conhecermos o desenvolvimento do resultado da utilização da soja, dentro deste mesmo cenário, poderemos avaliar as relações de oferta & demanda, medidas decisivas para o desenvolvimento dos preços. Embora a proteína de soja seja o principal insumo para a produção de alimentos humanos, ainda assim seu preço submete-se a capacidade da oferta e a capacidade de adquirir, que nada mais é que a lei maior da economia “a de oferta e procura”.

A CHANCE ESTÁ NO FRETE BARATO

Segundo Severo, os países consumidores alegam que a produção da soja é muito resistente e oferece poucas chances de grandes revezes. “Isso faz todo sentido, porque em 50 anos como profissional do mercado de soja, não assisti a mais do que 4 grandes perdas na lavouras brasileiras e aparentemente o mesmo número no cenário internacional”.

Além disso, o cenário macroeconômico continua hostil e afetando fortemente os preços das commodities pesadas (hard), principalmente os metais, alumínio, cobre, etc.

Mas com a redução do fluxo comercial a nível mundial, o frete oceânico entre Brasil e China custa apenas US$ 37.- por tonelada, enquanto que em 2004 era US$ 90.- por ton e em 2008 alcançou us$ 140 por tonelada!! “Este é o “encanto” que ainda está remunerando melhor os produtores brasileiros”, completa o analista de mercado.

Fonte: Notícias Agrícolas


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