Análise semanal do mercado do milho

Publicado em 1 de setembro de 2012

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Emerson Juliano Lucca²

As cotações do milho em Chicago estagnaram nesta última semana, fechando a quinta-feira (30-08) em US$ 8,11/bushel, após US$ 8,08 uma semana antes. A diferença de preço em relação ao primeiro dia de agosto é de apenas 1,4%. E isso apesar das péssimas informações relativas à safra dos EUA. Tal comportamento confirma que a soja em Chicago está sobrevalorizada, pois proporcionalmente sua quebra não é tão intensa, fato que aponta para uma severa correção baixista futuramente. Em especial se a safra sul-americana vier a contento.

Dito isso, 51% da área de milho nos EUA estariam, nesse final de agosto, sob efeito de seca extrema ou excepcional, contra 49% na semana anterior. Por sua vez, o “crop tour” da Pro-Farmer confirmou uma safra estadunidense do cereal muito menor do que a indicada pelo USDA em seu relatório do dia 10/08. O volume agora seria de 266,2 milhões de toneladas, contra 283,8 milhões indicados pelo USDA. Quanto às condições das lavouras estadunidenses de milho, no dia 26/08 as mesmas estavam com 52% entre ruins a muito ruins, 26% regulares e 22% boas a excelentes.

Nessas condições, é praticamente certo que haverá modificações para menos na produção de etanol e nas exportações de milho nos EUA. Falta ainda a definição oficial de tais modificações.

Vale ainda destacar que a colheita de milho já iniciou nos EUA, tendo atingido a 6% da área plantada até o dia 26/08, contra 2% na mesma época de 2011. E, nesse sentido, as fortes chuvas e ventos provocadas pelo furacão Isaac se tornam prejudiciais ao cereal, podendo aumentar os prejuízos em algumas regiões.

Na Argentina e no Paraguai, a tonelada FOB fechou a semana na média de US$ 293,00 e US$ 195,00, o que indica um recuo em relação há semanas anteriores.

Já no Brasil, os preços se mantiveram firmes. A média gaúcha de balcão ficou em R$ 27,57/saco, enquanto os lotes oscilaram ao redor de R$ 33,50/saco. Nas demais praças nacionais, os lotes giraram entre R$ 18,75/saco em Sorriso (MT) e R$ 34,50/saco nas regiões catarinenses de Videira, Concórdia, Chapecó e Campos Novos.
Nota-se que o mercado recuou um pouco em alguns locais e estagnou em outros nesse final de agosto, deixando o sentimento de que a tendência de alta possa ter se esgotado, pelo menos por enquanto.

Enquanto isso, as exportações continuam muito positivas. Até o dia 24 havia sido negociado com o exterior 1,9 milhão de toneladas de milho em agosto, confirmando a tendência de o volume ultrapassar facilmente os 2 milhões de toneladas nesse mês. Esse comportamento externo, resultado da crise de oferta nos EUA, está sustentando
os preços internos do cereal, apesar da excelente safrinha.

Enfim, na importação CIF indústrias brasileiras, a semana fechou com o produto dos EUA valendo R$ 50,32/saco, enquanto o argentino ficou em R$ 43,24, ambos para agosto. Já o milho argentino para setembro ficou cotado a R$ 43,49/saco. Na exportação, o transferido via Paranaguá, alcançou R$ 33,98/saco em agosto; R$ 34,48
para setembro; R$ 35,13 para outubro; R$ 35,92 para novembro; R$ 36,23 para dezembro; R$ 35,69 para janeiro/13; R$ 35,26 para fevereiro; e R$ 35,92/saco para março de 2013.


¹_Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França,
coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
²_Economista, Mestre em Desenvolvimento, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de
Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ.

Agrolink com informações de assessoria


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