Algodão: Paridade e contratos elevam preços no Brasil

Publicado em 13 de agosto de 2012

Ainda em ritmo atípico para esta época do ano, os preços permanecem em alta no mercado interno.
A expectativa era de aumento da oferta neste período de colheita, o que tenderia a pressionar as
cotações. No entanto, as altas nos preços externos, que elevam a paridade de exportação, e a
alocação da pluma da nova safra para o cumprimento de contratos têm impulsionado os preços.
Apesar de a paridade de exportação ainda estar abaixo dos preços internos, produtores têm
restringido os lotes para negociações no spot. Além da boa sustentação dos preços externos, a
atual taxa de câmbio é fator de sustentação da paridade. Cotonicultores seguem fazendo caixa
principalmente com a venda de milho, mas o ritmo de negócios de grãos também esfriou nos últimos
dias, devido aos preços altos que afastou a demanda.
Comerciantes permanecem como os vendedores mais ativos e são, em alguns casos, flexíveis nos
preços pedidos. Esses agentes negociam o produto de negócios fechados antecipadamente com
produtores e, em geral, ainda sem os testes de HVI.
Compradores que estão abastecidos, em especial aqueles que já receberam produto de contrato,
estão fora de mercado para novas aquisições. Muitos apostam em preços menores e, por isso,
quando vão ao mercado, adquirem apenas pequenos volumes. Os dados do USDA desta sexta, 10,
ao apontar aumento das ofertas chinesas e norte-americanas em relação aos dados de julho, vieram
a fortalecer tal expectativa.
Entre 3 e 10 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias subiu 1,3%, fechando
a sexta-feira a R$ 1,6002/lp. No mês, o Indicador acumula alta de 1,09%, com média de R$
1,5870/lp.
No mercado de fios de algodão, o ritmo de negócios permanece lento. A procura seguiu firme
apenas para fios penteados, contudo, devido à baixa produção desse tipo por fiações brasileiras,
boa parte da produção já foi negociada. Para o tipo cardado, a demanda está mais fraca que em
meses anteriores, uma vez que compradores estão abastecidos. Os valores dos fios open end
seguem pressionados, visto que há poucos compradores interessados e a produção é grande.
Apesar disso, vendedores comentam que conseguem cobrir os custos de produção.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os futuros registraram baixa nesta semana pressionados por
realização de lucros e pelo relatório do USDA que aumentou as estimativas da safra mundial e norteamericana.
Entre 3 e 10 de agosto, o primeiro vencimento, Outubro/12, teve baixa de 0,44%,
Dezembro/12, 1,24%, Março/13, 1,51% e Maio/13, 1,56%.
Neste mesmo período, o Índice Cotlook A subiu 5,6%, fechando a sexta-feira a US$ 0,8580/lp. O
dólar desvalorizou 0,59% frente ao Real, com média de R$ 2,0222 na semana de 6 a 10 de agosto.
A paridade de exportação calculada pelo Cepea, FAS (Free Alongside Ship) Paranaguá, teve média
de R$ 1,4874/lp nesta semana, alta de 3,02% em relação à anterior (R$ 1,4439/lp). A paridade de
importação, divulgada pela Conab, baseada no Índice Cotlook A, CIF São Paulo, teve média de R$
2,0154/lp na semana de 30 de julho a 3 de agosto, considerando-se a média do dólar a R$ 2,0401.
O USDA apontou que, até o dia 5, domingo, 41% das lavouras norte-americanas de algodão
estavam em condições boas ou excelentes, contra 30% no mesmo período de 2011. Em condição
média, estavam 32% das lavouras, contra 29% há um ano. Já as condições ruins ou muito ruins se
limitavam a 27% da área, contra 41% no último ano.
No Brasil, o 11º relatório da safra 2011/2012 da Conab, divulgado nessa quinta-feira, aponta poucas
mudanças em relação ao relatório de julho. Os maiores ajustes foram referentes à produtividade no
Sudeste e no Nordeste – especialmente na Bahia. As ofertas das duas regiões foram reduzidas.
No agregado, a área plantada com algodão o Brasil ficou em 1,396 milhão de hectares, 0,3% inferior
à da safra 2010/11 (1,4 milhão). A produção de pluma será 4,7% menor, totalizando 1,87 milhão de
toneladas. A produtividade média de pluma deve ser de 1.338 kg/ha, 4,4% abaixo da obtida na safra
anterior.
Em nível mundial, o USDA divulgou nesta sexta-feira, 10, o relatório mensal de oferta e demanda.
Comparativamente aos dados de julho, houve aumento da produção esperada em 2012/13 para a
China e Estados Unidos e redução na colheita da Índia e do Brasil. No agregado, a produção deve
ser de 24,8 milhões de toneladas, 7% inferior à da safra passada.
Para o consumo, houve reduções para China e Paquistão no comparativo com os dados de julho. As
estimativas são de que, no agregado, a demanda fique em 23,55 milhões de toneladas em 2012/13,
com crescimento de 2,6% sobre o ano anterior. Os altos estoques chineses devem diminuir a
necessidade de importação, fazendo com que as transações mundiais fiquem em 8,1 milhões de
toneladas, 16,1% inferiores às do ano passado.
Segundo o USDA, os estoques de passagem devem crescer 10,1%, para uma relação
estoque/consumo de 69%, o maior da história. A China deve acumular 46% dos estoques mundiais,
percentual que era de 23% na safra 2010/11.

Fonte: Cepea


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