Soja e milho cedem em Chicago com USDA projetando redução na demanda

Publicado em 12 de julho de 2012

O mercado internacional de grãos fechou a quarta-feira em queda na Bolsa de Chicago. Apesar do relatório de oferta e demanda divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ter sido parcialmente altista para os preços, soja e milho passaram por uma forte correção de preços.

A oleaginosa terminou o dia com baixas de quase 20 pontos nos principais vencimentos e o milho com mais de 10. Ao longo do dia, o cereal liderou as perdas, que se aproximaram dos 30 pontos.

Foi uma sessão de muita volatilidade na CBOT. O corte feito pelo USDA em suas estimativas tanto para a produção quanto para a produtividade da soja e também do milho foram históricos – os mais altos para um boletim de julho – e logo após sua divulgação impulsionaram os preços. Os números vieram confirmando os estragos que semanas de calor intenso e falta de chuvas têm feito nas lavouras norte-americanas. Os Estados Unidos enfrentam a pior seca desde 1988.

A safra 2012/13 de milho foi reduzida de 375,7 milhões de toneladas estimadas em junho para 329,4 milhões de toneladas. Já a estimativa para a produção de soja caiu de 87,2 milhões para 83 milhões de toneladas.

Comprometida pela estiagem, a projeção do USDA para a produtividade do milho caiu de 173,6 sacas por hectare para 152,7 sacas. O esperado pelo mercado era um rendimento de 161,2 sacas/ha. No caso da soja, a estimativa para a produtividade veio em 45,4 sacas por hectare ante as 49,2 sacas estimadas em junho. A projeção do mercado era de 47,4 sacas.

Por outro lado, o departamento norte-americano também reduziu expressivamente suas projeções para a demanda de soja e milho nos EUA e no mundo. Para a oleaginosa, o reporte apontou uma redução de 7,74% nas exportações norte-americanas da safra 12/13, um recuo de 2,13% no esmagamento e um consumo 4,61% menor. No cenário mundial, a projeção para o consumo caiu 0,68%. No caso do milho, o consumo nos EUA foi reduzido em 7,66%, o consumo para etanol em 2% e para as exportações norte-americanas, a baixa na estimativa foi 15,79%.

Essa esperada redução da demanda, portanto, foi um dos motivos para a baixa registrada pelo mercado internacional nesta quarta-feira (11). Como explicou o analista de mercado Étore Baroni, os preços nos atuais patamares – que são históricos – devem desestimular o consumo. Sendo assim, este foi um dos fatores de baixa para as cotações.

Paralelamente, houve ainda um movimento de realização de lucros, já esperado depois da fortes e intensas altas registradas pelos grãos nas últimas semanas. “Os contratos tanto de soja quanto de milho vêm em subida alucinante nas últimas semanas. Os mercados não sobem em linha reta durante muito tempo e uma realização de lucros é importante e “saudável” para o sustento de maiores altas. Existe a possibilidade de que os contratos possam ter maiores baixas, mas isto ainda não significa que a tendência de alta de médio prazo acabou”, disse Pedro Dejneka, analista de mercado da PHDerivativos, direto de Chicago.

Outro fator negativo para o mercado teria sido uma melhora climática nos Estados Unidos, com alguns mapas climáticos sinalizando chuvas para os próximos dias. No entanto, essas informações vêm do modelo norte-americano (GFS), o qual não tem sido muito preciso nas últimas semanas.

Diante disso, o efeito dessas possíveis chuvas é mais psicológico do que real no mercado. As lavouras norte-americanas necessitam de precipitações volumosas e que atinjam as principais regiões do Corn Belt de forma significativa. A situação ainda é bastante complicada e não deve se resolver completamente nos próximos dias. O mercado continuará atento ao andamento do clima nos Estados Unidos.

Fonte: Notícias Agrícolas


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