Algodão – Preços alteram pouco diante da resistência de compradores e vendedores

Publicado em 5 de maio de 2012

Compradores continuam ofertando preços abaixo da média, o que tem pressionado as cotações em alguns momentos. No entanto, a necessidade em adquirir a pluma de boa qualidade, devido à maior demanda por fios, fez, nesta semana, com que esses agentes cedessem aos pedidos de vendedores.Fiações estão renovando os estoques. A demanda segue mais ativa pelo fio penteado, no entanto, apesar da baixa disponibilidade desse tipo para venda, os preços não têm subido muito, visto que compradores não absorvem reajustes expressivos. Já fiações que produzem fio cardado estão com grandes volumes em estoque. Isso porque, compradores desse tipo de produto, de menor preço, estão utilizando o fio open end . Colaboradores do Cepea comentam que em abril se importou menor quantidade de fio penteado, pois o preço estava equivalente ao do mercado interno. Nesse contexto, produtores mantêm postura firme, enquanto comerciantes continuam operando basicamente em operações “casadas”, sendo mais flexíveis nos preços de venda apenas quando têm produto em estoque. Com a alta do dólar e a paridade de exportação a níveis acima dos preços internos, esses agentes se voltaram para negócios para exportação. Parte dos produtores da Bahia, em específico, está reticente em fechar novas negociações tanto no mercado disponível quanto no futuro. Isso porque a estiagem na região prejudicou as lavouras e, consequentemente, deve acarretar perda de produtividade. Além de restringir o volume a ser negociado, esse impacto climático pode impulsionar as cotações, corroborando a cautela dos produtores baianos neste momento. Colaboradores do Cepea acreditam que a perda pode ultrapassar os 25% em alguns casos. Em relatório divulgado nessa quinta-feira, 3, pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), é apontada perda média de 10% na safra 2011/12, o que equivaleria a 27 arrobas por hectare. Segundo o relatório, os veranicos, que chegaram a durar mais de 30 dias em algumas regiões do estado, nos meses de fevereiro e março prejudicaram o desenvolvimento das lavouras, a formação das flores e das maçãs. A área plantada na região foi de 386 mil hectares, e a produção total é estimada em 562 mil toneladas de pluma – já considerando-se a perda projetada. Entre 27 de abril e 4 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias subiu 0,42%, fechando a sexta-feira a R$ 1,6044/lp. Neste início de mês, o Indicador acumula alta de 0,48%, com média de R$ 1,6013/lp. No mercado internacional, entre 27 de abril e 4 de maio, o primeiro vencimento da Ice Futures US (Bolsa de Nova York), Maio/12, caiu 3,54%, Julho/12, 3,55%, Outubro/12, 3,12% e Dezembro/12, 2,39%. A pressão veio da retirada de restrições para exportação do produto indiano – não havendo limite sobre a quantia de embarques –, da divulgação do USDA de que houve cancelamento de vendas da pluma norte-americana e da valorização do dólar. Na semana, o Índice Cotlook A desvalorizou 2,88%, fechando a sexta-feira a US$ 0,9790/lp. O dólar valorizou 1,8% frente o Real, com média de R$ 1,9155. A paridade de exportação calculada pelo Cepea, FAS (Free Alongside Ship) Paranaguá, teve média de R$ 1,6317/lp nesta semana, recuo de 0,58% em relação à anterior (R$ 1,6413/lp). A paridade de importação, divulgada pela Conab, baseada no Índice Cotlook A teve média de R$ 1,8931/lp na semana passada (23 a 27/4), considerando-se a média do dólar de R$ 1,8828. O Icac (Comitê Consultivo Internacional do Algodão) estima que as negociações mundiais cresçam 13%, para 8,6 milhões de toneladas na safra 2011/12, devido às importações recordes da China. Esse país deve ser responsável por 52% das compras mundiais enquanto as de outros países são estimadas em 4,2 milhões de toneladas, volume 18% inferior. Esse aumento nas importações chinesas estaria reduzindo a disponibilidade de pluma para outros países. Enquanto os estoques chineses devem chegar a 5 milhões de toneladas, os de outros países somados ficariam em 8,1 milhões de toneladas. As exportações norte-americanas, segundo estimativas do Icac, podem diminuir 21% nesta temporada, para 2,5 milhões de toneladas. Contudo, os embarques provenientes da Índia, Brasil e Austrália podem atingir níveis recordes, segundo a mesma fonte. Em relação às lavouras da safra 2012/13, em fase de cultivo no Hemisfério Norte, são estimadas, em nível mundial, em 33,6 milhões de hectares, 7% inferiores às da safra 2011/12. Produtores devem reduzir a área com a cultura devido às quedas de preços e aumento dos custos de produção, num contexto em que as culturas de grãos se mostram mais atrativas. Baseado nas produtividades médias, o Icac estima que a produção mundial possa cair 7%, para 25,2 milhões de toneladas – só a China deve reduzir a safra em 6,4 milhões de toneladas, volume 13% inferior à safra 2011/12. A produção deve diminuir também na Índia, Paquistão, Brasil e Turquia. Já a produção dos Estados Unidos pode ser 11% maior que a da safra anterior, totalizando 3,8 milhões de toneladas, apesar da redução de área e, supondo-se que o clima seja favorável. Dados do USDA, por sua vez, apontam que até o último domingo, 29, 26% da área estimada para a cultura nos Estados Unidos havia sido plantada, frente a 16% no mesmo período de 2011 e contra a média de 19% no período de 2007 a 2011. Após duas safras em queda, a demanda de indústrias, segundo o Icac, deve aumentar em 4% na safra 2012/13, para 24,1 milhões de toneladas. O impulso viria da melhora do crescimento econômico e da baixa nos preços da pluma. Novamente, com a produção mundial superior ao consumo, os estoques mundiais aumentariam 9%, para 14,3 milhões de toneladas, ou 59% do uso das indústrias do mundo, o que pressionaria os valores do algodão na safra 2012/13. A intensidade dessa pressão dependeria, em grande parte, do apetite chinês e do interesse em fazer estoques internos no país.

Fonte: Cepea


Assist Consultoria | Todos Direitos Reservados

Avenida Brasília, 2711 - (66) 3419 1007 - Campo Real CEP 78840-000 - Campo Verde - MT

. .