Milho: Safrinha está sendo favorecida pelo clima

Publicado em 30 de março de 2012

A cultura do milho, esta em alta, principalmente pelo valor pago pelo seu grão. Este é o principal estimulo para o aumento da área de cultivo no Estado de Mato Grosso. Em especial na região Sul é visível as áreas de cultivo ao longo da rodovia BR 163 e estradas vicinais. A procura pela compra de fertilizante nitrogenado e sua dificuldade de aquisição no mercado é uma confirmação do aumento de área desta cultura, pois é um insumo importante no maneja da cultura.

O valor pago pelo grão do milho é indiscutível como fator de predisposição para o produtor rural realizar o seu cultivo, entretanto, uma análise de gestão da cultura dentro da propriedade mostra que o milho agrega outros valores em uma propriedade. Um exemplo é a maximização de máquinas, equipamentos, mão-de-obra, etc.

O cultivo do milho é importante quando se pensa em sustentabilidade da agricultura, é a cultura chave para o processo, pois pode ser utilizado no sistema de rotação e/ou sucessão de culturas com resultados positivos para as culturas subseqüentes No caso da monocultura, soja/soja, leva a degradação do sistema agrícola através de entraves que pode ocorrer. Como exemplos podem ser citados as dificuldades no controle de pragas e doenças. No caso de pragas, pode-se verificar a presença de novas raças de nematóides, que inviabiliza o cultivo da soja na mesma área.

A rotação de culturas e a presença de palha na superfície do solo, é a principal ferramenta para a uma agricultura sustentável e o milho sendo uma gramínea, apresenta características muito peculiares no sistema de rotação de culturas, devido principalmente ao seu sistema radicular (fasciculado que favorece a formação de agregados no solo) e a produção de matéria seca (palha) que permite uma cobertura da superfície do solo. Acredita-se que o milho safrinha semeado na segunda quinzena de março, possa ter seu rendimento de grãos comprometido mas, com certeza vai servir como cobertura do solo.

O aumento da área com o cultivo de milho safrinha também tem outros motivos, entre eles a produção de silagem para alimentação animal. A presença de propriedades dedicadas ao confinamento de gado, que tem como a base na alimentação o milho, é também verificada na região Sul do MT. A integração lavoura/pecuária através do consórcio milho/braquiária que contribui para a gestão da propriedade e também para melhoria da qualidade do solo..

Walter Buzatti
O sucesso da cultura do milho safrinha envolve vários fatores, desde a semeadura até as práticas de manejo utilizadas até a colheita. Entretanto, o fator chave para o sucesso do milho safrinha seja alcançado é o clima. Em especial para o milho existem vários elementos do clima que apresentam influência no seu crescimento e desenvolvimento. Entre eles pode-se citar: temperatura do ar e precipitação. A temperatura deve apresentar: noites frescas (+ ou – 15oC) e dias quentes (30oC) e a precipitação pluvial não deve faltar principalmente durante o florescimento (pendoamento) e enchimento de grãos (formação da espiga) pois esta é fase critica e de maior demanda por água para a cultura. O que pode ser verificado durante este mês de março aqui na região Sul do MT é que a precipitação pluvial esta sendo adequada para a cultura que esta no campo, prometendo boas perspectivas de rendimento de grãos.

A precipitação, como fator preponderante para produção do milho safrinha, também tem muito haver com a capacidade de armazenamento de água no solo. Estas chuvas, que estão ocorrendo na segunda quinzena de março, se bem armazenada no solo pode permitir com que a planta de milho suporte melhor as condições de déficit hídrico que vai ocorrer nos próximos meses, característicos do clima do cerrado. Mas, para se ter um bom armazenamento de água no solo é necessário ter um bom manejo do mesmo. E um bom manejo é possível quando se adota algumas práticas como: sistema de rotação de culturas, correção do solo em pH e fertilidade, livre da presença de compactação do solo e que a água da precipitação fique na lavoura e não apresente escorrimento superficial.

Walter José Souza Buzatti.
Eng. Agrônomo, UFSM
Mestre em Fitotecnia,UFRGS.
Especialização, CIDA, Espanha.
Email: walterbuzatti@hotmail.com

Retirado do site : http://visaodocampo.wordpress.com


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